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Radioamadores, PX e walkie-talkies: a "nova velha onda" que volta à tona depois de Stranger Things | CuritibaFun

Radioamadores, PX e walkie-talkies: a “nova velha onda” que volta à tona depois de Stranger Things

Radioamadores, PX e walkie-talkies: a "nova velha onda" que volta à tona depois de Stranger Things
Dustin, o garoto da série Stranger Things, usando o rádio do Sr. Clarke (Scott Clarke), professor que gostava de radioamador e tecnologia em Stranger Things. (Fotos: Reproduções dos filmes e séries)

Se você assistiu Stranger Things e sentiu aquele arrepio nostálgico ao ver crianças se comunicando por walkie-talkies, saiba que aquilo não é só estética oitentista. É o sinal claro de que a cultura dos rádios transmissores – especialmente o universo do Radioamador e do PX – nunca morreu. Ela apenas ficou em silêncio por um tempo… até voltar a chamar no canal.

Muito antes da internet, do celular e das redes sociais, o rádio já conectava pessoas, criava comunidades e salvava situações complicadas. O cinema e a TV ajudaram a transformar esse mundo em ícone cultural, popularizando expressões, equipamentos e a figura clássica do operador(es) de rádio(s) PX como elo invisível entre estradas, cidades e histórias.

O rádio no cinema e na TV: quando o microfone era protagonista

Muito além de figurante, o rádio foi, em várias produções, um verdadeiro personagem. Ele ditava o ritmo da narrativa, criava tensão, humor e, principalmente, conexão entre pessoas que não podiam se ver, apenas se ouvir.

Séries de TV

Radioamadores, PX e walkie-talkies: a "nova velha onda" que volta à tona depois de Stranger Things
  • The Dukes of Hazzard (Os Gatões) (1979-1985)
    Talvez uma das representações mais marcantes do rádio PX na cultura pop. Os primos Bo e Luke Duke usavam constantemente o rádio instalado no lendário General Lee para trocar informações, pedir ajuda e escapar das armadilhas do xerife Rosco P. Coltrane. O PX não era só um acessório – era o cérebro coletivo da estratégia, mostrando como a comunicação instantânea fazia toda a diferença antes de qualquer GPS ou celular.
  • Movin’ On (1974-1976)
    Série menos lembrada hoje, mas fundamental para popularizar o universo dos caminhoneiros na TV. Aqui, o PX aparecia como ferramenta de trabalho, amizade e sobrevivência na estrada. As conversas pelo rádio ajudavam a criar uma sensação de comunidade entre motoristas, algo que muitos Radioamadores reconhecem até hoje como essência do espírito do rádio.
  • BJ and the Bear (As Aventuras de BJ) (1978-1981)
    Misturando aventura, humor e estrada, a série acompanhava um caminhoneiro e seu inseparável chimpanzé. O rádio PX surgia como elo com outros motoristas, postos de apoio e situações inesperadas. Era o símbolo da estrada viva, onde ninguém está realmente sozinho quando existe alguém no canal.
  • Emergency! (1972-1979)
    Embora focada em serviços de emergência, a série ajudou o grande público a entender o valor da comunicação por rádio em situações críticas. Muitas vezes confundidos com PX, os rádios mostrados evidenciavam algo essencial: quando segundos importam, falar rápido e direto salva vidas. Um conceito muito próximo da filosofia do Radioamador em cenários reais.
  • Stranger Things (Netflix)
    Aqui, o rádio volta como símbolo de amizade, estratégia, sobrevivência e, num patamar fantasioso, a comunicação mental da personagem On, ou 11 (Millie Bobby Brown), no Mundo Invertido, com seus amigos no mundo humano/real. Os walkie-talkies utilizados pelas crianças – como o Realistic TRC-219, operando na faixa do cidadão (CB/PX) – não são apenas objetos de cena. Eles representam autonomia, cooperação e inteligência coletiva. Em um mundo ameaçado por forças desconhecidas, comunicar-se sem depender de estruturas centrais se torna vital.

Outras situações envolvendo o rádio e seu linguajar também foram decisivos na trama de Stranger Things. Uma delas foi quando o personagem Dustin (Gaten Matarazzo) consegue se comunicar por rádio com a sua namorada Suzie (Gabriella Pizzolo), a milhares de quilômetros de distância, para lembrar de um código que abriria um cofre russo. Claro que hoje há a internet e o celular, que ajudariam numa situação como aquela. Mas já pensou se o mundo algum dia tem algum apagão energético, como já vem ocorrendo nos últimos anos no mundo todo? Voltaremos aos anos 80 (como na série) e teremos o rádio como única fonte de comunicação.

Radioamadores, PX e walkie-talkies: a "nova velha onda" que volta à tona depois de Stranger Things
Suzi usava um ótimo rádio Swan 350C, c.1968, 10-80M HF Bands, SSB/CW/AM, 200W.

Outra situação que também foi uma virada de chave na trama – mas que não foi bem exatamente o uso do rádio, mas uma linguagem dominada pelos radioamadores – é o código morse. Na temporada 1, quando o personagem Will (Noah Schnapp) está com o demônio dentro de seu corpo (o monstro usava a visão e audição de Will para ver o que estava ocorrendo no mundo humano), a solução que ele encontrou para se comunicar com os amigos e familiares foi utilizando a código morse.

Enquanto os amigos distraiam a visão e audição do monstro com som alto e estímulos visuais, Will, sentado numa cadeira, batia o código morse na perna de trás da cadeira. Enquanto o demônio achava que era só nervosismo do menino, o delegado Jim Hopper (David Harbour) percebeu e ia repassando via rádio os códigos para as crianças, que anotavam e traduziam tudo. Desta forma, conseguiram entender o que se passava com Will e livrá-lo do demônio.

Radioamadores, PX e walkie-talkies: a "nova velha onda" que volta à tona depois de Stranger Things
Radioamadores, PX e walkie-talkies: a "nova velha onda" que volta à tona depois de Stranger Things

Aliás, falando no delegado Hooper, ele utilizava um belíssimo rádio Cobra 139, também o Cobra 139CB e um 142GTL em sua viatura. Uma comunicação que frequentemente o recolocava dentro dos momentos urgentes e críticos da trama.

Filmes que marcaram época da cultura PX

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  • Smokey and the Bandit (Agarra-me se Puderes) (1977)
    Um verdadeiro hino do PX. O personagem de Burt Reynolds usa o rádio para coordenar movimentos, receber alertas e despistar a polícia. O filme ajudou a criar expressões, códigos e até uma aura quase mítica em torno do operador(es) de rádio(s) PX, mostrando o rádio como ferramenta de liberdade.
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  • Convoy (Comboio) (1978)
    Inspirado na música country de C.W. McCall, o filme leva o rádio PX ao centro absoluto da narrativa. Toda a organização do comboio, o protesto e a resistência acontecem pelo rádio. É talvez o retrato mais puro do poder da comunicação coletiva, algo que qualquer Radioamador entende na prática.
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  • Breaker! Breaker! (O Caminhoneiro Justiceiro) (1977)
    Estrelado por Chuck Norris, o rádio PX é essencial para a trama. Ele conecta personagens, denuncia injustiças e move a história. Aqui, o rádio não é só meio de comunicação, mas instrumento de justiça.
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  • Joy Ride (Perseguição) (2001)
    Um olhar moderno e mais sombrio sobre o PX. O filme mostra como a comunicação anônima pelo rádio pode gerar tensão extrema. Mesmo décadas depois do auge do PX, o filme prova que o rádio ainda carrega força narrativa e impacto psicológico.

Analógico, mas atual: por que o rádio voltou a fazer sentido?

Vivemos um momento global de tensão constante. Guerras, crises hídricas, mudanças drásticas de temperatura, tempestades cada vez mais intensas, tornados surgindo em regiões onde nunca existiram – como aconteceu recentemente no Sul do Brasil. Basta olhar para o céu: nuvens carregadas, shows de raios, sistemas climáticos extremos.

Nesse cenário, cresce também o interesse por soluções de sobrevivência: pessoas falando em bunkers, autonomia energética, estocagem e comunicação independente. E é exatamente aí que entram os Radioamadores.

Quando tudo falha, o rádio continua

Em situações de apagão, queda de redes móveis ou colapso da internet, o rádio segue operando. Equipamentos simples, alimentados por bateria, energia solar ou sistemas alternativos, permitem comunicação direta, sem depender de torres, cabos ou servidores.

É por isso que o Radioamador sempre teve papel fundamental em desastres naturais, enchentes, terremotos e operações de resgate. Quando todo o resto silencia, o rádio continua chamando.

Mais do que hobby, o rádio é ferramenta. Técnica, sim. Mas também humana, colaborativa e surpreendentemente atual.

Stranger Things e o retorno do espírito do rádio

Radioamadores, PX e walkie-talkies: a "nova velha onda" que volta à tona depois de Stranger Things

Stranger Things fez algo raro: apresentou o rádio para uma nova geração sem tratar o tema como coisa do passado. Pelo contrário. A série mostra que, em cenários de crise, o simples ato de apertar um botão e falar pode ser mais eficaz do que qualquer tecnologia avançada.

Os walkie-talkies não simbolizam apenas nostalgia, mas independência. Eles funcionam sem internet, sem operadora e sem permissão. Essa mensagem conversa diretamente com o universo do Radioamador moderno, que entende o rádio como ferramenta de autonomia em um mundo cada vez mais dependente de infraestruturas frágeis.

No meio desse universo, projetos editoriais como o site CuritibaFun ajudam a manter viva essa memória e, ao mesmo tempo, apresentar esse mundo a novas gerações – mostrando que falar no rádio ainda faz sentido, talvez mais do que nunca.

No fim das contas, a tal “nova velha onda” não é só nostalgia. É um lembrete poderoso: comunicar-se sem intermediários, com alcance real e espírito comunitário, continua sendo algo extremamente moderno.

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Publicado em Radioamador e PXPalavras-chave Cinema | código morse | comunicação alternativa | cultura pop | Dustin (Gaten Matarazzo) | Jim Hopper (David Harbour) | PX | radioamador | Radioamadores | series de tv | sobrevivência | Stranger Things | Suzie (Gabriella Pizzolo) | Will (Noah Schnapp)

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