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Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná | CuritibaFun

Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná

Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná

A iniciativa de placas históricas mais famosa do mundo, lançada há mais de 150 anos em Londres, as famosas “placas azuis” tornaram-se uma parte icônica do Movimento de Conservação e da paisagem urbana britânica, sendo reconhecidas como as mais antigas do mundo.

A história do programa começou em 1863, quando o deputado William Ewart propôs pela primeira vez a ideia de um esquema de placas comemorativas à Câmara dos Comuns. A Society of Arts, que acabou por se tornar a Royal Society of Arts, tomou a iniciativa três anos mais tarde. Em 1867, foram colocadas as primeiras placas.

Numerosas iniciativas semelhantes foram inspiradas pelo programa, tanto no Reino Unido como no estrangeiro. Uma placa azul é um sinal permanente que é colocado num espaço público no Reino Unido e em algumas outras nações e territórios, particularmente nos que fazem parte da Commonwealth britânica, para honrar uma ligação entre esse local e um indivíduo, ocasião ou edifício histórico notável. Serve como um marco histórico significativo e celebra indivíduos e locais que deram contributos e influências importantes na sociedade e no patrimônio local/nacional.

No Reino Unido, há duas utilizações principais para este termo. Pode ser utilizado de forma mais livre para se referir a uma variedade de programas comparáveis geridos por organizações em todo o Reino Unido, incluindo conselhos e associações locais e outras nações, ou pode ser utilizado de forma mais restrita e específica para se referir ao programa “oficial” gerido pelo English Heritage, mas o objetivo é o mesmo: reconhecer uma pessoa, um edifício ou um evento com significado histórico-cultural. Normalmente, “placa comemorativa” é o termo mais geral utilizado, especialmente fora do Reino Unido.

Placa Azul do Pirata Zulmiro

A fim de celebrar as ligações históricas entre o Pirata Zulmiro e Curitiba, contribuir para o patrimônio cultural local desta narrativa, e a ligação bilateral mais ampla com o Reino Unido, a Sociedade Britânica do Paraná doou uma placa comemorativa, baseada no design original e icônico da “Blue Plaque” britânica, para ser instalada no Praça do Pirata Zulmiro na cidade de Curitiba, capital do Estado do Paraná. O projeto também tem como objetivo comemorar e homenagear a extensa pesquisa do autor

Marcos Juliano Ofenbock, que procurou conectar uma lenda urbana anteriormente considerada com a história real e a história marítima do Reino Unido e sua relação com o Paraná. De acordo com a pesquisa da British Society, esta iniciativa da placa azul e sua conexão e mensagem inerentemente britânicas, pode ser uma das primeiras no Brasil e na América Latina de forma mais ampla.

De acordo com um dos fundadores da British Society, e Cônsul Honorário Britânico no Paraná, Adam Patterson:

“Foi uma honra acompanhar e fazer parceria com a pesquisa de Marcos Juliano durante muitos anos. A perspectiva de um pirata britânico esquecido, até agora, que viveu em Curitiba, no sul do Brasil, a 6000 milhas de distância do Reino Unido, é uma perspectiva fantástica e tentadora. Parafraseando o livro “A Ilha do Tesouro”, o clássico da literatura britânica: Nenhuma história está perdida se houver uma pessoa para procurá-la. E assim, nós, da Sociedade Britânica do Paraná, estamos entusiasmados com esta parceria com Marcos Juliano e o Pirata Zulmiro e temos o prazer de doar esta histórica Placa Azul de inspiração britânica para marcar esta emocionante história e a verdadeiramente notável conexão Reino Unido- Paraná. A história e os laços que a unem são verdadeiros tesouros. Estamos entusiasmados por fazer parte desta brilhante história e esperamos que a nossa placa azul sirva como um marco histórico que contribua para o património cultural da cidade de Curitiba

Histórico

Em 1821, o general José de San Martin que libertou o Peru do jugo espanhol, permitiu que o valioso tesouro da Catedral de Lima fosse retirado e embarcado em um galeão partindo de Lima com destino à Espanha. Ao ingressar no Oceano Atlântico a embarcação foi interceptada por piratas e o tesouro saqueado. O butim foi escondido em uma ilha deserta no meio do oceano, fora de tradicionais rotas marítimas.

Em 1850, em Bombaim na Índia, um marinheiro russo em seu leito de morte, revelou ter sido um dos piratas que saqueou o Tesouro de Lima, e entregou para o capitão de um navio mercante inglês um mapa indicando a existência de um grande depósito de tesouros roubados, que foram escondidos na Ilha da Trindade, na Baía Sudoeste da ilha na região da Praia do Príncipe.

De posse desse mapa, ocorreram três expedições inglesas em busca desse depósito dos tesouros, em 1880, 1885 e a última em 1889. Nenhuma das expedições conseguiu atingir seu objetivo, por causa de um grande desmoronamento que ocorreu no local impossibilitando os expedicionários de encontrarem o depósito dos tesouros.

A última expedição inglesa de 1889, coordenada pelo advogado e jornalista de guerra inglês Edward Frederick Knight, resultou na publicação de um livro “O cruzeiro do Alerte, uma narrativa da procura por um tesouro na ilha deserta da Trindade”.

Em 1879, em Curitiba no sul do Brasil, um velho inglês que vivia recluso foi localizado por um jovem imigrante inglês chamado Edward Young que procurava por conterrâneos. Estabeleceram forte amizade e passado um ano, Young ao despedir-se para retornar à Inglaterra, o velho revelou ter sido um capitão pirata com o nome de guerra de Zulmiro, que fazia parte do mesmo bando do pirata russo.

O pirata entregou ao jovem um roteiro cifrado de como encontrar o depósito escondido na Baía Sudoeste da Ilha da Trindade e outro depósito que foi escondido no interior da Ilha, na região da Enseada da Cachoeira, hoje chamada de Praia do M.

Edward Young revelou esse encontro com o pirata em oito cartas que ele publicou no Jornal do Brasil do Rio de Janeiro em 1896.

A veracidade desta história fica comprovada pela revelação de dois piratas do mesmo bando, que esconderam tesouros na mesma ilha, mesmo estando em pontos distintos do mundo e cada um pensando que o outro estava morto, apontam para o mesmo local e descrevem o mesmo tesouro.

De posse do roteiro do tesouro escrito pelo Pirata Zulmiro, ocorreram quatro expedições brasileiras em busca dos tesouros, duas em 1910, uma em 1911 e a última em 1912. Nenhuma das expedições brasileiras conseguiu atingir seu objetivo devido a falta de tecnologia que possibilitasse os expedicionários localizar o local específico onde os depósitos dos tesouros foram escondidos.

A Marinha do Brasil no ano de 1950, realizou a expedição “João Alberto” para planejar a ocupação permanente da ilha da Trindade, entre os objetivos também estava a busca pelos depósitos dos tesouros, mas não tiveram sucesso.

Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná
O Malho -RJ – 10 de junho de 1911.

Todos os detalhes e documentação desta história estão contidos nos livros do pesquisador Marcos Juliano Ofenbock:

A Verdadeira Ilha do Tesouro, as crônicas do Pirata Zulmiro” – Curitiba: Edição do autor, 2019.

Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná

O Tesouro Pirata da Ilha da Trindade, a história documentada do maior tesouro pirata do mundo” – Curitiba: Edição do autor, 2022.

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DOCUMENTOS DOS PIRATAS

Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná
Mapa original entregue pelo pirata russo na Índia em 1850.
Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná
Transcrição do roteiro do tesouro escrito pelo Pirata Zulmiro em Curitiba em 1880.

TRANSCRIÇÃO DO ROTEIRO DO TESOURO ESCRITO PELO PIRATA ZULMIRO EM CURITIBA EM 1880

DEPÓSITO BAÍA SUDOESTE – PRAIA DO PRÍNCIPE

Ortografia mantida

O deposito consta de obras artísticas em ouro e prata, alem de 63 barras de prata massiça, com as dimensões de 6 por 2 por 4 polegadas, fructo de muitos annos de pirataria.

Esse deposito se acha na bahia sul, no extremo leste da ilha, ao lado norte do Pão de Assucar, debaixo da pedra central das cinco ahi existentes.

Na bahia do extremo sul uma escuna encontra seguro ancoradouro, mesmo perto da praia, em qualquer tempo, podendo, com pouco trabalho e alguma perícia, encalhar as suas embarcações. Existe ahi um canal, perto do Pão de Assucar, que se distingue de uma culminancia rochosa e passa entre esta e duas ilhas de pedra do lado do Pão de Assucar.

As cinco grandes pedras assignalando o thesouro estão acima da entrada da grota, que fica a 5°,30´ N.W. do Pão de Assucar.

O esconderijo está situado dentro da grota, e consta de tres grandes quartos cortados no terreno duro e atravessando a grota; ao rumo de 5°,30` N. W. e na distância de 300 jardas encontram-se as cinco grandes pedras das quaes a central repousa sobre as outras quatro e formam um grande quarto de tres lados.

A entrada está do lado de Oeste e todos os volumes, de tamanho avantajado, se acham escondidos n’este paiol, empilhados uns sobre os outros, dentro de barricas, barris, caixões e caixas, que occupam quasi todo o espaço do quarto.

Seo valor artistico e incalculavel, sendo seo valor intrinseco de cerca de 3 milhões. N’uma lata redonda existem documentos de depositos que somente têm valor para os seos legitimos donos e que presentemente apenas aproveitam ao Banco da Inglaterra.

O thesouro não pode ser encontrado sem esta descripção.

Este é o deposito mais rico e acha-se perto da cascata.

Neste deposito existe ouro em pó, em barras e em moedas de diversos paizes, bem como pedras preciosas de grande valor.

O valor d’este deposito pode ser calculado em 5 milhões.

Ao lado esquerdo d’esta, distante treze pés da grande pedra, a segunda pedra queda n’um ângulo de (32) graos do lado de sudoeste, existe uma cavidade fechada, porém que poderá ser facilmente aberta, dentro da qual se encontram 19 volumes de grande valor e differentes tamanhos.

A cascata está situada do lado sul da ilha, a cerca de 2/5 da extremidade oeste a curta distância da praia: é facil encontral-a porquanto fica abaixo de uma depressão na cadêa de montanhas que fórma o fundo da paysagem, tendo em frente o melhor local para fundear do lado sul, apezar de expôsto a todos os ventos que d’ahi sopram.

Ao avistar-se a ilha pelo sul, uma depressão na cadêa de montanhas facilmente chama a attenção e, na embocadura do corrego, pode-se encalhar uma embarcação com segurança.

Os dezenove volumes constam de: 11 barris cheios de moedas, duas grandes caixas abertas contendo 81 pequenas barras de ouro, uma armação de relogio cheia de joias, dous saquinhos para chumbo amarrados e lacrados contendo pedras preciosas, uma caixa de chá cheia de joias desmontadas e duas caixas de folha cheias de ouro em pó.

O pesquisador Marcos Juliano Ofenbock encontrou a certidão de casamento do Pirata Zulmiro nos arquivos da Igreja Matriz de Curitiba, em 04 de fevereiro de 1829. Assim que o Pirata chegou em Curitiba, ele arrebatou uma jovem escrava, levou para a igreja e casou-se com a finalidade de gerar um possível álibi de imigrante, afinal ele era um fugitivo da Marinha Real Inglesa.

Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná
João Francisco Inglez e Rita Maria

Aos quatro dias do mês de fevereiro do ano de mil oitocentos e vinte nove nesta matriz de senhora da luz de Coritiba, feitas as diligências de costume sem impedimento em minha presença e as testemunhas o alferes Fidelis da Silva Carrão e João Joze da Silva Carrão e recebo em matrimônio João Francisco Inglez, filho de João Francisco, e Maria Francisca. Natural de Londres, com Rita Maria, filha de Antonio Maria e de Anna Maria, desta paróquia. Logo receberão as bençãos nupciais. Do que faço este assento.

O vigário Antonio Teodoro Camilo

O Pirata viveu em Curitiba até o ano de 1889, quando faleceu aos 90 anos em 24 de agosto de 1889, ele morou por 60 anos na cidade, segundo o livro de registros do cemitério municipal São Francisco de Paula:

Nome – cor – idade – estado civil – nacionalidade

Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná

João Francisco Inglez – branca – 90 – viuvo – Inglez

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Dacta de Fallecimento
anno 1889 – mês Agosto – dia 24 – hora 8 noite

O pesquisador também localizou o registro de óbito do Pirata na Igreja Matriz de Curitiba:

Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná
João Francisco Inglez, 90 anos.

A vinte quatro de Agosto de mil oitocentos e oitenta e nove, nesta Parochia, falleceu de inflammação João Francisco Inglez, da Inglaterra, viuvo de Rita de tal, com noventa annos. Jaz no Cemiterio Publico.

Pe. Alberto José Gonçalves, VigºCollado.

O Pirata Zulmiro falou ao inglês Edward Young que nasceu na cidade de Cork no ano de 1798, e seus pais eram muito ricos e donos de grandes propriedades de terra, e por ser de família nobre foi enviado para estudar na prestigiada escola de Eton College, o mesmo lugar onde o futuro rei da Inglaterra estudou, o príncipe William.

Eton College é um internato para meninos que você entra aos treze anos e pode estudar até os dezoito. O pirata entrou em Eton em 1811 aos treze anos.

O pesquisador Marcos Juliano teve aceso aos arquivos de Eton College e localizou um aluno chamado Francis (Francisco) que entrou em 1811 e vinha da cidade de Cork:

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O pesquisador Marcos Juliano localizou vários membros da família do Pirata Zulmiro (HODDER) que foram oficiais da Marinha Real Inglesa:

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O Pirata Zulmiro nasceu em 1798 e morreu em 1889 com noventa anos.

Viveu em Curitiba de 1829 até 1889, por sessenta anos.

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PIRATA ZULMIRO

1798 – 1889

Zulmiro, um britânico, foi um dos últimos capitães piratas do século 19.

O Pirata viveu em Curitiba de 1829 até 1889.

Sociedade Britânica do Paraná

A Prefeitura de Curitiba vai inaugurar a Praça do Pirata Zulmiro no próximo dia 29 de junho, às 11h, com a descerramento da Placa Azul.

Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná
Imagem do perfil do prefeito de Curitiba Rafael Greca no facebook.
Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná
Imagem do perfil do prefeito de Curitiba Rafael Greca no facebook.

https://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/obras-da-prefeitura-de- curitiba-avancam-e-bosque-gutierrez-se-transforma-para-receber-a- praca-do-pirata-zulmiro/73442

Uma nova expedição em busca do tesouro do Pirata Zulmiro escondido na Ilha da Trindade, está sendo organizada pelo Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, sob liderança do pesquisador Marcos Juliano que é associado do instituto. O projeto da expedição já conta com o apoio de universidades, museus, arqueólogos, geólogos, biólogos e historiadores.

Placa Azul do Pirata Zulmiro: Um tesouro de conexões históricas entre o Reino Unido e o Paraná

Em 2022 foi lançado um documentário (53 min.) sobre a história do Pirata Zulmiro, do diretor Estevan Silvera, com a participação do prefeito Rafael Greca e do Consul Honorário Britânico do Paraná Adam Patterson.

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Publicado em EspeciaisPalavras-chave Paraná | Pirata Zulmiro | Placa Azul | Reino Unido | tesouro | William Ewart

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