A resposta rápida e articulada da diretoria da Fonoteca da Música Paranaense, aliada ao apoio da comunidade cultural, da imprensa e de voluntários, foi decisiva para mitigar os impactos da inundação causada pela forte tempestade que atingiu Curitiba em 03 de fevereiro deste ano. A ação coordenada garantiu a preservação do acervo histórico da música paranaense, guardado em um storage atingido pela inundação, e demonstrou união da comunidade, e a solidez da gestão da instituição diante de uma situação crítica.
Assim que o alerta sobre a inundação do storage foi recebido, a diretoria iniciou imediatamente um plano de contenção de danos. As peças que tiveram contato com umidade foram identificadas, higienizadas e colocadas para secagem e análise técnica, enquanto todo o acervo foi removido preventivamente para um espaço maior, mais seco e mais seguro, oferecido prontamente pela empresa responsável pelo storage, após diálogo direto e propositivo entre as partes.
O presidente da Fonoteca, Rodrigo Amaral, destacou a importância da ação imediata e integrada. Segundo ele, “agimos rápido buscando identificar os danos, arejar as peças atingidas e mover todo o acervo para um local mais seguro. Isso só foi possível graças ao diálogo com os responsáveis pelo storage, que prontamente atenderam nossa demanda oferecendo uma sala maior, mais seca e protegida. A comunicação feita pelas redes sociais mobilizou a sociedade, e os voluntários foram fundamentais para a mudança do acervo“.
A atuação conjunta envolveu ainda os setores jurídicos da Fonoteca e do storage, que dialogaram de forma construtiva, além do acionamento do seguro, garantindo respaldo institucional ao processo. Se tudo ocorrer corretamente com a seguradora, será possível restaurar alguns materiais danificados. Em relação a outros itens, a Fonoteca contará com artistas e colecionadores na doação de peças substitutas, como por exemplo alguns DVDs e vinis raros atingidos pela água.
O fundador do acervo, Manoel J. de Souza Neto, ressaltou a eficácia da gestão da crise e elogiou a condução da diretoria. Em depoimento, afirmou: “Parabéns ao presidente da Fonoteca Rodrigo Amaral e a todos que contribuíram de qualquer forma para as ações nos últimos dias. O grupo mostrou enorme capacidade de gestão de crise. Identificamos peças atingidas, deixamos secar para análise de recuperação e restauro, mudamos todo o acervo para um armário maior e mais protegido e avançamos em questões de seguro e diálogo com o storage. Abrimos diálogos também com poderes públicos municipais e estaduais. Levamos o caso às redes sociais, e à imprensa. Obtivemos apoios de amigos e coletivos. Avançamos em diálogos e estratégias para avançar com a Unespar. Isso revela que ações planejadas e ações cotidianas têm plenas condições de realização. Fizemos milagre hoje. O acervo está salvo.”
A mobilização contou com o apoio moral de membros da Fundação Cultural de Curitiba, Museu da Imagem e do Som e Secretaria Estadual de Cultura do Paraná, que manifestaram preocupação e abriram canais de diálogo institucional. O professor André Egg, da Unespar, além de participar do mutirão, reforçou os esforços para viabilizar, em breve, a transferência do acervo para a universidade, fortalecendo sua função acadêmica e pública.
O mutirão reuniu representantes de diferentes gerações e linguagens da cena musical paranaense, entre eles Ney Rodrigues (da banda Ovos Presley), Matheus Moro (da banda Dirty Quarantine), Jyudah Ichban (do Hip-Hop), Tiago Rangel (DJ), além de André Egg, Rodrigo Amaral e o próprio Manoel J. de Souza Neto. Dezenas de outros músicos, produtores e agentes culturais se colocaram à disposição para colaborar. A comunicação das ações ficou a cargo de Giove Pereira e Digão Duarte, ampliando o alcance da mobilização.
A imprensa local deu ampla cobertura ao episódio, evidenciando o valor simbólico e histórico do acervo e o apreço da sociedade paranaense pela preservação de sua memória musical. Segundo a Fonoteca, essa visibilidade foi fundamental para fortalecer o apoio público e institucional à causa.
Apesar do susto e dos danos pontuais, o episódio revelou que o acervo está em mãos comprometidas e capacitadas, contando não apenas com uma diretoria atuante, mas também com o respaldo da comunidade cultural, da mídia e perspectivas de que ocorra maior apoio do poder público, única questão que precisa avançar de forma mais efetiva. “A reação imediata e a gestão eficaz da crise demonstram que o futuro da memória da cena musical paranaense segue no caminho certo, sustentado pela união, responsabilidade e ação coletiva“, afirma Rodrigo Amaral. “A Fonoteca da Música Paranaense ainda está aqui, e por isso teremos no futuro a memória da música paranaense.”





