Inspirado na azaleia, flor que floresce nas montanhas de Liangshan, no sudoeste da China, e atravessa gerações como símbolo de sua cultura, o espetáculo Azaleia Oriental chega a Curitiba nos dias 16, 17 e 18 de novembro, como parte de sua turnê pela América Latina. A montagem propõe uma viagem por histórias, tradições e manifestações artísticas preservadas pelo povo Yi, reunindo música, dança, bordados e rituais ancestrais. As apresentações serão realizadas no Teatro Positivo, pela companhia chinesa Wucai Yunxia Xin Wenyi. Os ingressos estão à venda pelo Disk Ingressos.
Com cerca de nove milhões de pessoas, o povo Yi vive principalmente nas montanhas de Liangshan, na província de Sichuan, região conhecida por preservar línguas, rituais, costumes e cosmologias milenares. Em Azaleia Oriental, esses elementos ganham vida no palco por meio de uma experiência que aproxima o público brasileiro de uma cultura ainda pouco conhecida no país.
Em pouco mais de cinquenta minutos, 26 artistas em cena revelam a história de uma vida inteira: o nascimento, a infância, o amor, a maternidade e a velhice de uma mulher Yi, narrados por meio da dança, do canto, do teatro físico e de projeções de forte apelo visual. Azaleia Oriental inicia a turnê por Cotia (SP), no dia 12 de novembro, segue para Curitiba, nos dias 16,17 e 18 de novembro, no Teatro Positivo, depois vai para Brasília, com apresentações entre os dias 22 e 26 de novembro, no Memorial América Latina
Antes de chegar aos palcos brasileiros, a companhia Wucai Yunxia Xin Wenyi já passou por alguns dos festivais mais respeitados do mundo: seus espetáculos foram apresentados na 54ª edição da Bienal de Veneza, na Itália; na programação convidada do Holland Festival, nos Países Baixos; na 25ª edição do Festival de Teatro de Cartago, na Tunísia; recebeu convite especial para a 33ª edição do Festival Internacional de Teatro de Sibiu, na Romênia; e consagrou-se como produção convidada da 19ª edição do Festival de Teatro da China. Um currículo que coloca o Brasil ao lado de algumas das cenas teatrais mais exigentes do planeta — e que faz da passagem da companhia pelo país um acontecimento raro para o calendário cultural brasileiro.
A Turnê Brasileira do Grupo Wucai Yunxia conta com o forte apoio e a atenção das lideranças do Departamento de Cultura e Turismo da Prefeitura Autônoma de Liangshan, na província de Sichuan, China.
Para Yinhua Wu, Diretora Executiva no Brasil, trazer a companhia ao público brasileiro representa uma oportunidade de estreitar o diálogo entre culturas e ampliar o conhecimento sobre a riqueza e a diversidade da tradição chinesa: “Esta é a primeira vez que trazemos ao Brasil um espetáculo desta dimensão e qualidade. Esperamos apresentar ao público brasileiro mais conhecimentos sobre os diferentes povos e grupos étnicos que compõem a cultura chinesa, em especial a cultura do povo Yi, que guarda relações e muitas semelhanças com as culturas incas e maias das Américas. Por meio desta produção de alto nível, mostraremos uma face da China ainda pouco conhecida no Brasil. Esperamos que o grande público brasileiro possa apreciar e acompanhar este evento”, avalia.
Uma história costurada em preto, vermelho e ouro
Cada detalhe em cena carrega significado. Os figurinos, herdeiros de técnicas de bordado transmitidas de geração em geração, são dominados por três cores: o preto, que evoca a solenidade da terra; o vermelho, que remete ao fogo e à pulsação da vida; e o amarelo, símbolo da luz do sol e da fartura das colheitas. Sobre o tecido, motivos de chamas, chifres de carneiro, crinas de cavalo e formas geométricas se entrelaçam com adornos de prata — um vocabulário visual tão antigo quanto preciso, hoje reconhecido oficialmente como patrimônio cultural imaterial da China. Estão nessa lista os próprios trajes Yi, a harpa de boca tradicional, a música ritual dos sacerdotes bimo e a dança Duoluohe, todos protegidos por catalogações nacionais e provinciais que atestam o valor histórico do que o público brasileiro verá ao vivo.
Por trás desta grande produção está o Grupo Wucai Yunxia — nome que pode ser traduzido como “Nuvens Coloridas” — organização ligada ao Liangshan Cultural Tourism Group e dedicada a projetos de artes cênicas, patrimônio imaterial e intercâmbio cultural internacional. A vinda ao Brasil integra um projeto amplo de aproximação entre China e Brasil pelas vias da arte: a ideia é que, no escuro da plateia, plateia brasileira e tradição chinesa se reconheçam por meio daquilo que raramente precisa de tradução — o gesto, o canto, o luto, a festa.
Uma curiosidade
Um detalhe que costuma despertar a curiosidade de quem acompanha de perto a cultura Yi: pesquisadores e entusiastas do tema já apontaram, em textos de divulgação chineses, semelhanças simbólicas entre tradições Yi e culturas originárias das Américas — como festejos ligados ao fogo e calendários de base solar. São aproximações tratadas pela própria produção como convite ao diálogo e à curiosidade cultural, não como conclusões científicas ou históricas comprovadas — mas que, ainda assim, funcionam como um convite para o público brasileiro entrar em contato com um povo tão distante geograficamente e, à primeira vista, tão surpreendentemente próximo em símbolos.
Wucai Yunxia Xin Wenyi
A Wucai Yunxia Xin Wenyi é uma organização da indústria cultural vinculada ao Grupo de Cultura e Turismo de Liangshan. Atua nas artes cênicas, no cinema e na televisão, no patrimônio cultural imaterial e na criação cultural, na educação artística e em viagens de estudo. Com o objetivo de construir uma “Shangri-La das artes”, foi reconhecida como Base Nacional de Demonstração da Indústria Cultural e como uma das dez principais marcas culturais de empresas estatais de Sichuan, contribuindo para consolidar Liangshan como polo secundário de artes e literatura da província.
Criou e produziu dezenas de obras audiovisuais e cênicas, entre elas o filme Meu caminho sagrado; as séries A aliança de Yihai, As flores Soma desabrocham e Flores Soma douradas; as óperas étnicas Vermelho Yi e Ouvindo Soma; o musical Quando o amor; a peça Isolamento; o espetáculo em cenário natural Areniu; a coletânea de cantos tradicionais Indo à feira; e o concerto sinfônico O calor das montanhas. Recebeu dezenas de prêmios nacionais e internacionais, incluindo Feitian, Águia de Ouro, Flor de Lótus, Wenhua e o Prêmio do Projeto dos Cinco Uns. Duas de suas séries exibidas pela CCTV lideraram a audiência nacional, e suas produções cênicas realizam turnês na China e no exterior.
Concebeu projetos de destaque, como o Festival de Teatro de Daliangshan e a Jornada Poética de Daliangshan. Coordenou centenas de grandes iniciativas culturais, entre elas o palco de Liangshan da Gala de Ano-Novo Chinês da CCTV; a Gala do Festival do Meio do Outono da CCTV; as apresentações de intercâmbio “Conheça a China” nas Américas, promovidas pelo Departamento de Publicidade do Comitê Central; o primeiro Festival Internacional de Turismo e Cultura do Triângulo Dourado, no Laos; o concerto sinfônico dos 30 anos de relações diplomáticas entre China e Israel; o concerto sinfônico de Pequim de 2024 dedicado ao fortalecimento da consciência de comunidade da nação chinesa; e a Semana de Música Étnica da China (Sichuan). A Orquestra Sinfônica de Liangshan integra o grupo de destaque das orquestras chinesas. Os concertos populares de Daliangshan mantiveram apresentações semanais ininterruptas por 13 anos, somando quase 700 sessões e tornando-se referência nacional de acesso público à cultura.
SERVIÇO:
- Espetáculo: Azaleia Oriental – O Povo Yi e a Memória Viva da China
- Companhia: Grupo Wucai Yunxia, da China
- Data: 16, 17 e 18 de novembro de 2026
- Horário: Abertura do teatro: 19h / Início do evento: 20h
- Local: Teatro Positivo
- Endereço: Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Campo Comprido, Curitiba (dentro do campus da Universidade Positivo)
- Duração: 50 a 60 minutos
- Classificação indicativa: Livre
- Acessibilidade: Sim
- Apoio: Departamento de Cultura e Turismo da Prefeitura Autônoma de Liangshan
- Ingressos: https://www.diskingressos.com.br/grupo/3542/2026-11-18/pr/curitiba/espetaculo-azaleia-oriental-o-povo-yi-e-a-memoria-viva-da-china